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Acordo entre Mercosul e UE vai estimular diversificação

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Por Mara Bianchetti

04 de outubro de 2019

Entre os benefícios que a efetivação do acordo entre o Mercosul e União Europeia poderá proporcionar a Minas Gerais a tão esperada diversificação econômica do Estado. O assunto, debatido e proposto há décadas em prol do desenvolvimento mineiro, volta à tona a partir das perspectivas de negócios que poderão se consolidar com o tratado, assinado no fim de junho, após 20 anos de negociações.

Os dados constam de um estudo realizado pela Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico e apresentado na Associação Comercial e Empresarial de Minas (ACMinas) para entidades, autoridades e empresários durante o seminário “Perspectivas para Minas Gerais com o Acordo de Associação Mercosul e União Europeia”.

De acordo com o subsecretário de Promoção de Investimentos e Cadeias Produtivas, Juliano Alves Pinto, são grandes e positivas as projeções a partir do acordo para o Brasil e especialmente para Minas Gerais, principalmente no que se refere ao aumento de produtividade e competitividade de alguns setores produtivos.

“O Brasil tenta sair da pior crise econômica de sua história que também foi agravada pelo baixo nível de abertura comercial internacional de 27%. Para se ter uma ideia, a média entre os países dos Brics é de 56%. Por isso, a abertura comercial é um caminho potencial para esta recuperação e precisa ser trabalhada”, avaliou.

Ainda de maneira ampla sobre o País, Pinto destacou não somente as exportações de diversos setores produtivos que poderão ser beneficiadas com acordos do tipo, principalmente os de commodities. Mas também a renovação do parque fabril nacional, por vezes considerado obsoleto em algumas áreas.

Especificamente sobre Minas Gerais, ele ressaltou que há produtos estratégicos que poderão se beneficiar com o acordo entre Mercosul e União Europeia, sobretudo os hoje considerados artesanais, como queijos, cachaças e mel, por exemplo.

“A partir do acesso a um mercado sofisticado como o europeu, Minas poderá se beneficiar até mesmo de seu patrimônio, produtos e gastronomia, que são tão diferenciados. O Estado terá a oportunidade de exportar em larga escala produtos que hoje trabalha de maneira artesanal e já é reconhecido lá fora”, explicou.

Além disso, para o subsecretário, a possibilidade de aumentar a competitividade de setores que já tradicionalmente possuem relações exteriores também será um fator determinante no fortalecimento da indústria mineira. Ele citou como exemplo o setor lácteo. Embora Minas seja o segundo produtor de leite do País, a indústria é muito pouco modernizada e acaba prejudicando a fabricação de seus derivados. “Encontramos aí uma grande oportunidade para Minas e para o Brasil”, disse.

Vale lembrar que o comércio internacional entre Brasil e União Europeia é intenso, com destaque para os produtos da agropecuária. Em 2018, o bloco foi destino de 18% das exportações brasileiras e origem de 19,8% das importações do País. No último ano, o fluxo comercial entre o Brasil e o bloco foi de aproximadamente US$ 77 bilhões.

No caso de Minas, em 2018 o fluxo comercial alcançou mais de US$ 7 bilhões entre exportações e importações, com um superávit na balança comercial de aproximadamente US$ 4 bilhões. Em termos de intensidade comercial entre Minas Gerais e blocos econômicos, o intercâmbio com a União Europeia é três vezes superior ao do Mercosul sob a ótica das exportações.

A pauta de exportação de Minas Gerais para o bloco tem sua composição semelhante à observada na totalidade das exportações mineiras para todo o mundo: café, minério de ferro e seus produtos, ouro e derivados da soja.

O presidente do Conselho Empresarial de Relações Internacionais da ACMinas, Silvio Nazaré, por sua vez, destacou a importância de discussões acerca do tema.

“Precisamos analisar, debater e projetar as perspectivas a partir do acordo, principalmente as que impactarão nosso Estado. Sabemos que terão ganhos para o bloco sul-americano e para o Brasil para além da economia, pois trará efeitos positivos em produtividade e competitividade, já que as orientações e padrões internacionais são fundamentais para este tipo de negociação”, disse.

Em termos práticos, conforme Nazaré, já se vislumbram diversos cenários através do acordo. Ele lembrou que o instrumento inclui temas como facilitação de comércio, quebra de barreiras técnicas e alfandegárias e questões relacionadas à propriedade intelectual e patentes.

“Por isso, faz-se necessário criar mecanismos para ultrapassar barreiras injustificadas e alavancar ainda mais as relações comerciais entre os países. Este encontro já é uma contribuição para este processo”, concluiu.

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