Conheça a microgerência: o terror do dia a dia de qualquer funcionário!

 

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O “micromanagement” ou microgerência é uma palavrinha amaldiçoada no mundo dos negócios. Ninguém gosta de ouvi-la e muito menos de senti-la em seu ambiente de trabalho. Infelizmente, não há como fugir, a microgerência é realidade na vida de muitas pessoas, mesmo que elas tentem convencer a si mesmas do contrário.

Mas vamos ao que interessa!

Em suma, a microgerência diz respeito a profissionais que não possuem as habilidades necessárias para realizar o trabalho para o qual foram contratados. Esses profissionais buscam pessoas que atuam em um nível inferior a elas, no intuito de aproveitar do fato de estarem sempre à disposição para realizar tarefas em seu lugar. E mesmo tendo esse poder, elas ainda assim se sentem confortáveis e no direito de culpar aqueles que agem em seu nome, quando necessário.

Com o passar do tempo esse “poder” costuma diminuir, pois os que servem sempre acabam seguindo suas carreiras em outras empresas ou oportunidades, na maioria das vezes pela pressão exercida por esse tipo de situação, que acaba se tornando insustentável, na maioria dos casos.

Quão generalizada é a microgerência?

Uma pesquisa feita pela Trinity Solutions e publicada no livro “My way or the Highway”, de Harry Chambers, identificou que 79% dos entrevistados haviam experimentado, em algum grau, os terríveis efeitos do microgerenciamento. Aproximadamente 69% disseram que consideraram a possibilidade de mudar de emprego por causa dos efeitos negativos dele e outros 36% realmente mudaram de emprego. Além disso, 71% disseram que o microgerenciamento interferiu no desempenho do trabalho e na moral.

Qual é o ponto positivo e negativo da microgerência?

 Ponto positivo: pode ser um pouco difícil de entender como pode existir algum ponto positivo em fazer parte dos considerados microgerentes, mas esse ponto positivo existe. Se você se considera um profissional forte e que não costuma se abalar, fica mais fácil superar resultados negativos e estressantes, bem como entender como funciona o dia a dia de um gerente, além de entender quais são ou podem ser suas necessidades primárias.

Além disso, também é possível que esse profissional desenvolva uma “pele grossa” para qualquer tipo de impasse que possa acontecer no ambiente de trabalho. Isso pode ser outro benefício, mas, infelizmente, você terá que experimentar para tentar entender quais outros pontos positivos podem existir – se é que existem – no microgerenciamento.

Ponto negativo: gerenciar pessoas nem sempre trará resultados positivos. Infelizmente, o impacto negativo que a microgerência causa sobre uma determinada equipe ou funcionário costuma não agradar nem um pouco. É por essa razão que a sensação de desconfiança entre os microgerentes e sua equipe gera um grande estresse, consequentemente diminuindo a criatividade e a comunicação.

A personalidade possessiva do microgerente fará com que o colaborador se sinta forçado a cumprir suas regras, podendo trazer resultados nada agradáveis para o trabalho e, caso algo saia errado, o culpado ainda será você (ou o próprio funcionário). Infelizmente, muitos deles são conhecidos por “puxar o tapete” dos colaboradores que estão abaixo dele na hierarquia.

 Como identificar um microgerente?

Para alguns desses microgerentes, confiar nos funcionários pode ser algo muito difícil. Encontrar o equilíbrio certo no gerenciamento entre confiança e controle ainda é um desafio para a maioria dos profissionais que estão acima de outros, por conta da hierarquia. Infelizmente, quando os microgerentes não se adaptam a um estilo saudável de gerência, certas tomadas de decisão que precisariam ser rápidas, acabam sendo ineficientes.

Identificar um microgerente não é tão difícil, basta ficar de olho em pequenos detalhes:

  1. Eles costumam criar um ambiente de trabalho insalubre;
  2. Interferem incessantemente no processo criativo de um funcionário ou da equipe;
  3. São territoriais e se recusam a permitir que outras pessoas tenham alguma opinião a respeito da atividade de outros funcionários;
  4. Assistem de longe cada movimento ou comportamento que julgam errado em alguém, e fazem questão de deixar isso claro;
  5. Delegam tarefas, mas não oferecem nenhum tipo de ajuda ou orientação sobre como realizá-las;
  6. Criticam e desacreditam da experiência de alguns funcionários, pois sabe que ele mesmo não é capaz de realizar determinadas tarefas de sua própria área de atuação.

Pensando de maneira geral, existe mais um benefício em ser um microgerente: o fato de que ninguém vai querer trabalhar com ele, ficando sempre em escanteio. Aparentemente, é isso que eles querem, não é mesmo?

O que de fato causa o microgerenciamento?

Ainda de acordo com o autor Harry Chambers, a confusão e a insegurança são os dois principais fatores que fazem com que os microgerentes tentem controlar a maioria das situações que seriam de responsabilidade dos colaboradores abaixo de seu nível hierárquico. Eles realmente esperam que outros funcionários possam ler suas mentes, e isso faz com que os colaboradores se sintam fracassados por não terem esse poder.

Quais são os efeitos negativos desse tipo de gestão?

 Um microgerente possui alguns dos mesmos traços da personalidade de um chefe tirânico. Um chefe tirânico nunca dá aos funcionários a chance de se explicarem quando algo dá errado. Eles fazem com que os funcionários se sintam culpados, deixando-os com medo de se comunicarem com a alta gerência pelo simples fato de saberem que serão julgados por algum comportamento ou erro cometido em suas funções. Em casos extremos, a insegurança dos funcionários pode se tornar tão grave que eles temem perder o emprego apenas por conta do comportamento desmotivador do chefe.

De acordo com o livro “My boss is a Jerk: How to Survive and Thrive in a difficult Work Environment Under the Control of a Bad Boss”, de Kathleen Rao’s, existem 7 sintomas comuns e consequências de trabalhar para um chefe tirânico:

  1. Estresse, podendo afetar o trabalho e a vida familiar do funcionário;
  2. Problemas de saúde, como cardíacos ou pressão alta;
  3. Problemas econômicos e insegurança no ambiente de trabalho (medo de ser rebaixado ou perder o emprego);
  4. Tensão emocional devido ao constante abuso verbal ou emocional por parte da chefia, que afeta negativamente sua autoestima.
  5. Fadiga por excesso de trabalho;
  6. Falta de apreciação, deixando os funcionários desmotivados porque não sabem se o trabalho desenvolvido por eles é apreciado ou valorizado;
  7. A falta de confiança, que dificulta o encontro com o microgerente, pois ele costuma menosprezar os funcionários.

Como lidar efetivamente com a microgerência?

A melhor maneira de lidar com microgerentes é tentar dar a eles todas as informações de que precisam. Faz parte do perfil do microgerente se sentir inseguro se não souberem o que está acontecendo. Eles gostam de detalhes, então forneça relatórios ou argumente de forma detalhada para que ele possa se sentir parte do todo, já que por mérito próprio ele costuma não conseguir.

Além disso, sempre tente esclarecer de forma sucinta aquilo que eles desejam saber, e repita, caso seja necessário. Essa é uma das únicas maneiras de deixá-los satisfeitos, pois microgerentes esperam que você saiba automaticamente aquilo que eles querem. Por isso, esteja sempre pronto para perguntar o que é necessário, em que formato ele gostaria e quando ele quer que determinada tarefa ou relatório seja entregue, por exemplo.

Quem tem maior perfil de microgerentes, homens ou mulheres?

Não há como definir um padrão ou mesmo um número. Tudo dependerá do ambiente de trabalho que você convive e também com o tipo de chefes e superiores que fazem parte do quadro de sócios/funcionários da empresa. Em geral, microgerentes do sexo masculino costumam ser mais difíceis de lidar diariamente, tudo por conta de padrões e altas projeções que costumam traçar para cada projeto ou tarefa.

Já com microgerentes do sexo feminino, talvez a rotina seja menos estressante, pois tudo dependerá do perfil da profissional. Muitas mulheres até mesmo promovem e defendem um ambiente de equipe real e que se assemelha a uma equipe bem gerida, mas se você não corresponder às expectativas em um determinado momento, possivelmente será punido de alguma forma.

A grande verdade é que homens e mulheres compartilham da mesma probabilidade de serem microgerentes, pois trata-se de um traço da personalidade, não necessariamente relacionado a gênero.

Conclusão

De forma resumida, os microgerentes deveriam entender que o controle dos funcionários e das tarefas desenvolvidas precisam vir com orientações claras para que o trabalho possa fluir de maneira saudável. Bons gerentes precisam permitir que seus colaboradores exerçam suas tarefas por meio de orientações, enquanto dão o seu melhor para executar as demandas do dia a dia.

À medida que os funcionários se sentem seguros para seguir orientações com calma e perseverança, certamente se sentirão capazes, independentes, satisfeitos com o trabalho que fazem, deixando a criatividade fluir e interpretando a si mesmos como bons exemplos a serem seguidos.

Não há dúvidas que esse contexto será a melhor arma para se dar bem com seus colaboradores, com o trabalho que desenvolvem e com a empresa, de maneira geral.

Você já passou por situação semelhante por conta da microgerência? Compartilhe com a gente nos comentários!

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COMENTÁRIOS:

  1. Nena siva 13 de maio de 2019 as 23:21

    Atrasado para mim este testo mas infelizmente vivi este drama ao ponto de sair de certo ambiente de trabalho me exonerado apos vinte anos de casa obrigada por me ajudar a ver que tal fato não aconteceu só comigo

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    • admin 15 de maio de 2019 as 11:26

      Olá, Nena! 🙂

      Essa é a realidade não só de muitos brasileiros, mas também de milhares de pessoas em nosso planeta.

      Infelizmente os microgerentes estão por aí, fazendo parte do quadro de funcionários de qualquer tipo de empresa, independente do segmento de atuação. Fique tranquila, você não foi a única.

      Não deixe de acompanhar as próximas publicações, pois traremos vários conteúdos interessantes.

      Responder

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